Ela encontrava-se deitada
em uma cama de solteiro sem nenhum lençol ou algo parecido. Vestia uma longa camisola
branca, que cobria os braços e as pernas. O quarto era um quarto comum, no
entanto, aflitivo. Talvez para qualquer outra pessoa, não fosse aflitivo, mas a
deixava aflita. Ela tentava gritar, mas o grito não saía. Ela abria a boca e
forçava a garganta, que ardia, mas não conseguia gritar. Forçava mais e mais
seu corpo inteiro, de maneira que sentia até dor na barriga, mas o grito não saía.
Ela suava frio, estava nervosa e começava a se debater na cama; socava o
colchão. Mesmo assim, ninguém escutava. Escutariam se ela pudesse gritar, mas
não havia jeito: ela não conseguia. Ela já estava ofegante, chorando de
aflição, a camisola estava transparente de tão molhada. Foi então que, talvez
por obra do inconsciente, ela acordou. Com um susto e seu blusão encharcado,
ela sentou-se rapidamente em sua cama, num impulso. Nervosa, tentou gritar. Mas
o grito não saía.
Marina Martins