quarta-feira, 15 de junho de 2011

A velha rosa ressecada

Abriu o caderno onde havia antigos poemas e, além de alguns manuscritos e rascunhos, encontrou também uma velha rosa ressecada. Uma rosa que não sabia se era efetivamente uma rosa, mas parecia ser. Levava poucas pétalas em seu corpo fino. Pegou a rosa e se perguntou de onde viera a flor. Teve um reflexo de ideia, mas logo a descartou. E se arrependeu de não ter guardado a flor que havia recebido nesse tal reflexo de ideia. Cheirou a rosa e fechou os olhos para ver se alguma lembrança vinha à sua memória. Vieram várias. Mas nenhuma delas era relativa a tal rosa ressecada. De onde poderia ter vindo a misteriosa flor? Não sabia. E temia que nunca descobrisse. Teve outro arrependimento: o de não ter feito nenhuma anotação a respeito da rosa, que um dia havia sido branca. Leu os poemas que a relembravam de um passado recente e de antigas paixões, um tanto sofridas. Mas e a rosa? Será uma lembrança de um esquecimento, que trará novas lembranças e a relembrará de outros esquecimentos: lembranças uma vez esquecidas. A rosa será o futuro de uma memória de que um dia guardou uma rosa, mas não podia se lembrar de onde. Ou de quando. Quem sabe o que importa mesmo não é saber o motivo ou a origem da rosa, mas sim de ter a certeza de que um dia recebeu a flor e de tê-la envelhecendo junto a velhos poemas e velhas lembranças.

Marina Martins

167

Esconderijo

Na água vou flutuar,
ficarei lá boiando.
Deixarei o sol entrar,
vou aos poucos decantando.

Minhas partes vão caindo
e eu quero me enterrar
bem debaixo da areia,
bem no fundo do mar.

Marina Martins

sexta-feira, 10 de junho de 2011

166

Ameaça

Juro que saio (agora) por aquela porta
se você me disser
que me julga por aquela droga de nota.

Marina Martins

165

As Flores da Florista

Vive sozinha a florista,
no meio de suas flores.
Às vezes tem a companhia de uma revista,
mas nunca de seus amores.

A florista ama suas flores,
elas a deixam sempre formosa.
São elas que trazem à sua vida, as cores
e mantêm sua loja sempre cheirosa.

Mas mesmo ao lado de tantas flores,
a florista também sofre de amor.
Talvez uma de suas maiores dores
é que nunca tenha ganhado uma flor.

Marina Martins

164

Refúgio do mundo real

Você é o centro do meu pensamento
Minha inspiração do momento
Meu maior sentimento
De algo que vem de dentro

Você é a pontada de alegria
Que ainda resta em mim ao fim do dia
Mesmo quando sinto que não vou aguentar
Tenho seu cheiro para me refugiar

Queria que seu cheiro pudesse me levar
Para longe daqui, além-mar
Assim, iria te alcançar
E mais uma vez poder te beijar

Você é o risco de luz que resta em mim
Mesmo quando tudo parece estar errado
Queria que fosse tão simples assim
Poder estar de novo ao seu lado

Marina Martins; setembro de 2010

163

Diz

Diz que quer meu beijo
que digo que quero o seu também.
Diz que quer meu carinho
que digo que quero seu bem.

Diz que quer pegar na minha mão
que digo que quero seu coração.
Diz que quer me conquistar
que digo que quero pra mim seu olhar.

Diz que tem algo a me dizer
que digo que quero te escutar.
Diz que você me quer
que digo que quero te amar.

Marina Martins; março de 2010

162

Sobre você

Tudo para mim agora
é sobre você.
Meu pensamento no momento
está só em você.
Eu quero poder olhar
só para você.
Queria poder ficar
só com você.
Queria poder te falar
que eu amo você.
Queria poder te contar
o que sinto por você.
Queria poder saber
se você tem algo a me dizer.
Queria poder te entregar
o que escrevi para você.
Já que tudo o que escrevo agora
é só sobre você.

Marina Martins; março de 2010

sábado, 4 de junho de 2011

161

Ai, Bahia...

Que saudades da Bahia!
Saudades de mergulhar em seu mar,
saudades de toda a sua harmonia
e de, com ela, me contagiar.

Que saudades da Bahia!
Saudades de olhar para suas estrelas,
saudades de toda a sua energia
e de suas águas mais belas.

Que saudades da Bahia!
Saudades de só ficar na rede,
saudades de toda a mordomia
e do mar, ora azul, ora verde.

Marina Martins

160

Transformação

Com o T após o Mar,
eu viro Martina, sem piscar.
Se sou Marina e ariana,
sou um pouco Mariana.
E se depois do Mar tem C,
eu me torno Marciana.
Marcia eu também posso virar
se eu tiro aquele "na".
Se sou Marcia e se sou ela,
me transformo em Marcela.
Mas antes de me transformar,
sei que um dia já fui mar.

Marina Martins

159

Num patamar

Chegou o pato,
bem apático.
Havia empatado
numa briga com a pata.
Mas que pato
mais antipático!

Marina Martins