sábado, 9 de janeiro de 2016

345



Quem?

Quem vai cuidar de mim
quando o vento bater
quando a febre arder
para eu não esquecer?

Quem vai cuidar de mim
para eu desabafar
quando me acabar de chorar
em que colo vou sentar?

Quem vai cuidar de mim
se todos precisam ser cuidados
se dentro de cada peito apertado
há um choro censurado?

Se vivemos numa incerteza sem fim
se estamos juntos, mas todos a sós
quem vai cuidar de mim?
Quem vai cuidar de nós?

Marina N. Martins, novembro/2015

344


Tudo meu

A minha cama é minha
A bagunça dela também
Eu durmo, a bagunça vai pra cadeira
Que é minha também
Ta tudo no quarto
Também bagunçado
Tudo meu
Tudo meu também
As roupas
Mesmas roupas
São minhas
A vida
A casa
A aula
O trabalho
Tudo meu
Mas tão meu
Tão, mas tão meu
Que não
Aguento
Mais.

Marina N. Martins, novembro/2015

343


Súplica


Quando seres humanos não bastam

E o espaço externo oprime

Dos seres humanos nos afastam

Até parece que a natureza reprime

As águas, as folhas disfarçam



O que aparece delas não mostra

A natureza que quero alcançar

O que alcanço é como uma crosta

Da qual não consigo me libertar



O que busco dele é o céu

Que pode me fazer voar

Preciso que o mundo me deixe ao leo

Alguém por favor me tira desse lugar

Marina N. Martins, novembro/2015

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

(Sem) Sutiã



Créditos: achei no Pinterest

Peitos. Assim que começaram a aparecer, fui ensinada a escondê-los. Afinal, nossa sociedade não está preparada para recebê-los, insistindo em recusá-los. Quando mais nova, eu me obrigava não só a tapar meus peitos, como a esconder os sutiãs que usava. Nada poderia ser mostrado, nem mesmo as alcinhas. Mas fui crescendo e querendo que meus peitos fossem mais notáveis. Não os mamilos, claro. Esses jamais podem aparecer. Eu queria meus peitos grandes, redondos, pontudos e iguais. Ah, e juntos, para poder ficar bonito com um decote. Como eles não obedeciam às minhas vontades, decidi falsificá-los e passei a usar sutiãs de enchimento. Eles deixavam meus peitos lindos, redondos... e falsos. Mas, pelo menos, escondia a diferença de tamanho que havia entre eles e forjava um tamanho considerado aceitável por mim mesma. Os meus peitos e mamilos me incomodavam muito. Eles foram um peso muito grande na minha adolescência. Eu estava decidida que colocaria silicone no futuro, a dúvida estava apenas em quando: ao completar 18 anos ou depois de amamentar meus futuros nenéns? Eu pensava no silicone como uma solução para a anormalidade que eram meus peitos, na minha cabeça. Um dos meus maiores medos de pré-adolescência era saber que um dia eu tiraria meu sutiã na frente de um cara.

O tempo passou. Arrumei um namorado. Fui amadurecendo. O enchimento dos sutiãs foi diminuindo e virando bojo. Percebi que a ideia do silicone era uma loucura para alguém que tem pavor de agulhas e cirurgias, como eu. E percebi que o dinheiro que gastaria com isso era abusivo, sendo que ele seria gasto para que eu me enquadrasse em um padrão imposto por uma sociedade patriarcal, machista, consumista, capitalista e objetificante. Uma sociedade que quer igualar corpos e mentes. Que rejeita a diferença. Uma sociedade que faz uma adolescente se sentir um lixo por ter peitos pequenos, mamilos grandes e um peito maior do que o outro. Que a faz se sentir feia, errada e desproporcional ao se olhar no espelho. Uma sociedade que cria humanos que acham uma vulgaridade uma mulher andar sem sutiã. Uma sociedade que prende e repreende uma mulher sem camisa, quando deveria ser um direito dela, assim como é do homem. Não estou atacando sutiãs e dizendo que eles são ruins, mas apenas defendendo a liberdade de uma pessoa ao escolher se quer ou não colocar um sutiã, sem ser julgada e regulada.

Pois bem. De uns tempos para cá, ando tentando ter uma relação melhor com meus peitos. As mulheres de minha família (avó, tias, primas, irmã e mãe) me ajudaram muito e sempre, tratando peitos como algo natural e belo. Assim como meu pai. Minhas amigas me ajudaram. Meu namorado. A luta feminista. Até a JoutJout, garota de 24 anos que faz vídeos no YouTube me ajudou. O Corpo Cru, meu projeto fotográfico, me ajudou – e muito. Foi graças aos meus peitos que a ideia dele me veio. E foi graças a ele que criei coragem de falar deles. É também por ele que pude ouvir o que uma mulher sofre e ama por ser quem é, do jeito que é. É por ele que posso dizer a cada mulher o quanto ela é bela por ser ela.

Por conta de uma blusa mal cortada que fazia parte do figurino de uma peça, tive que desistir do bojo e usar um sutiã normal, para que meus peitos não aparecessem. Esse sutiã faz parte de uma coleção de sutiãs sem bojo herdados da minha irmã quando eu era mais nova, e que decidi guardar por ter a esperança de conseguir usá-los um dia. Desde a peça, comecei a tentar levar o figurino para a vida real. Ontem, fui vestir uma regata. Quando peguei um sutiã de bojo, olhei para ele, joguei na cama e peguei um sem. Consegui sair de casa assim. Hoje, a mesma coisa. Outro dia, usei um vestido sem sutiã. Ele nunca precisou de sutiã, na verdade. Mas na minha cabeça todos iam reparar se eu não estivesse de sutiã. Quando saí na rua, vi o quão libertador era não estar com um tomara-que-caia de bojo me apertando e escorregando.

O desapego dos bojos não deveria ser tão difícil. E essa dificuldade é cruel. Meninas, às vezes literalmente, se torturam e se matam em busca de uma perfeição que não existe. Uma perfeição construída e ditada por um sistema. É muito triste ver uma menina sofrendo por seus peitos, porque o que ela tem é diferente do que ela vê na mídia. É cruel sentir vergonha dos seus peitos, sentir-se inferior apenas por não preencher decotes. É muito chato ter o corpo regulado o tempo todo. O sutiã, por exemplo, deveria ser uma escolha, não uma imposição. Não deveria ser uma decisão tão intensa o ato de não usá-lo. Moças, vamos aceitar nossos peitos. E moços também. Deveríamos ter a liberdade de tê-los livres quando quiséssemos, assim como os homens têm. Uma historinha: fiquei com meu namorado, pela primeira vez, aos 16 anos. Estávamos na praia, ou seja, eu estava de biquíni. Eu fiquei feliz, pensando no quanto ele me aceitava, pois “me viu de biquíni, viu que eu tenho peito pequeno e, ainda assim, quis ficar comigo”. Sim, eu pensei nisso. Moças, vamos combinar, se algum dia um cara ou uma mulher recusar vocês por seus peitos, agradeça por isso ter acontecido e joga a pessoa fora. Isso aconteceu pra você nunca mais olhar na cara dela. Vocês não se merecem. Você merece muito mais e a pessoa não merece você com seus lindos e únicos peitos.

Eu nunca imaginei que fosse conseguir publicar um texto falando sobre peitos. Era um assunto realmente delicado para mim, mas graças a muitas coisas e pessoas, isso está mudando. Por último, quero dizer que é realmente muito difícil esperar algo bom de uma sociedade que não consegue aceitar nem um peito. Não suporta conviver com mamilos (femininos!), a não ser que o contexto deles seja sexual. Mulheres, ainda temos muito a mostrar para esse mundo com nossos peitos enormes, mínimos, redondos, desproporcionais, nossos mamilos que acendem faróis e marcam nas roupas. É muito difícil se desprender do padrão, eu digo por mim, mas olhem... é libertador. Quanto mais você se desprende, mais você se liberta, mais você percebe o quão cruel é o que ele faz com você e o quão melhor é você se aceitar. A luta é difícil, mas vamos em frente. E de peito aberto.

Marina N. Martins

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Abrindo a boca (mais uma vez e sempre)

"Querido patriarcalismo,"

Ok, vamos lá. Eu já escrevi textos dessa temática algumas vezes. E enquanto tiver motivo, continuarei escrevendo. Sabem por quê? Porque a pior coisa a se fazer é ficar calada frente a situações absurdas que PRECISAM ser mudadas. Então temos que falar, falar e falar, porque o que incomoda não deve ser o ato de falar sobre, mas sim o “sobre”. Sabem por que a redação do ENEM teve como tema a violência contra a mulher? Porque ela existe. Tão óbvio, não é? E tão triste ser óbvio. Sabe por que também? Porque uns pedófilos machistas fazem questão de comentar sobre a beleza de uma criança de 12 anos de idade, comentários abertamente sexuais, inclusive insinuando estupro. Porque existem Eduardos Cunhas. Porque há pessoas (homens e, pasmem, mulheres) que chamam feminismo de mimimi. Que acham que mulher tem que levar corretivo mesmo pra aprender. Que acham que mulher é inferior. Que acham que qualquer tipo de abordagem na rua, coisa que muitas nós chamamos pelo seu verdadeiro nome, ASSÉDIO, é elogio.

Cara, eu vou ser sincera. Eu vou ser desbocada. Eu vou ser tudo o que eu bem entender nesse texto porque eu to de saco cheio dessa merda toda. Aliás, de saco não, to de peito cheio mesmo. E ainda vou misturar vários assuntos que têm a ver com um só. Vamos por partes.

Primeiramente, gostaria de avisar que vou botar a vagina na mesa nesse texto. Essa história de botar o pau na mesa não cabe a mim, já que não tenho um. E parou de achar que, quando uma pessoa é forte e tem atitude, ela tem colhão. Para quem não sabe, colhão é testículo. Eu conheço muita gente sem colhão que “tem muito mais colhão” do que gente com colhão. E parou também de achar que, quando alguém se mostra poderosA em alguma situação, é porque “tem pau”. E parou de achar que pau é sinônimo de força e poder. Inclusive, comparando aqui rapidinho: da minha vagina, querido, sairá um futuro você, ou seja, um ser humano. Minha tão frágil vagina tem o poder de parir uma cabeça e um corpinho inteiros de um bebê. E no dia seguinte, eu já to andando segurando a criança no colo enquanto ela se alimenta do que sai do meu peito. Enquanto isso, o tal do colhão quase mata um homem de dor quando recebe um chute. Ou seja. Ne? Se é para comparar força, vamos combinar que... Bom, mas a verdade é que órgão sexual não mede a força nem o poder de ninguém. Então vamos parar com essa palhaçada de “botar o pau na mesa” e vamos colocar nossa vaginas na mesa também. Queria dizer, inclusive, que admiro muito as vaginas colocadas na mesa em uma sociedade onde tantos paus já estão sobre ela.

Segundamente, peitos. Parou com isso de ter medo de peito. Peito de mulher é igual a peito de homem, só que é mais cheinho – ou não, aliás. Queridos seres humanos da face da terra inteira, queridos maravilhosos mamíferos, o primeiro alimento da vida de vocês vem de peitos femininos. Sem peitos, não há vida. Somos todos MAMíferos, passamos um tempo recebendo vida de mamas, então vamos parar de proibir a mama da mulher, vamos? Vamos parar de deletar fotos de moças com peitos de fora das redes sociais? Vamos aceitar que a mulher pode pegar um solzinho nos seios pra dar uma bronzeada, se ela quiser? Vamos todo mundo que quiser andar sem camisa pela praia? Essa pressão absurda que as mulheres sofrem para ter o “peito perfeito”, que as faz se submeter a agulhas e implantes e sofrer quando elas se olham no espelho e não veem dois amigos redondos e grandes, vem por causa desse medinho de vocês de peito. Se nós convivêssemos com os lindos peitos das moças que nos cercam, tenho CERTEZA de que seríamos mais desapegadas quanto à estética deles. Tanto que não vejo homens julgando uns os mamilos dos outros. Moral da história, vamos parar de não querer ver mamilo de mulher. Tanta coisa nesse mundo pra se preocupar e a família tradicional brasileira perdendo tempo com mamilo.

Terceiramente, família tradicional brasileira. Amores, quem são vocês? Uma família que não tem nenhum membro que já tenha traído, feito coisas erradas, falado palavrão, beijado alguém do mesmo sexo, usado algum tipo de drogas? Nada disso, nadinha mesmo? Desculpa, não conheço. Alguém me explica que tradição toda é essa, porque to por fora. Mais uma vez, tanta coisa pra se preocupar no mundo e nossos ilustres políticos tradicionalíssimos decidindo o que é família. Kiridos, vão dar um jantar pra sua família tradicional, rezem pelas almas de quem julgam errados e não se metam nas famílias que não são as de vocês. Vocês não são ninguém pra dizer quem é a família de ninguém. QUALQUER família merece ser feliz sem uma merda de uma lei ou coisa que o valha. Daqui a pouco vocês vão querer definir o que? Conceito de amigo? Quer ser tradicional, seja lá o que isso quer dizer, seja. Só não enche o saco de quem quer ser feliz sem a opinião de vocês.

Quartamente, Eduardo Cunha e os migo tudo dele. Mais uma vez, queridos ilustríssimos e tradicionalíssimos seres políticos desse Brasil, vão cuidar de outra coisa. Vai lavar um prato e comer uma pipoca. Vai varrer uma sala. Vai ali dar uma dormidinha, vai se jogar de um penhasco, tudo menos: 1. Se meter na sexualidade dos outros. 2. Se meter na família dos outros. 3. Se meter na religião dos outros. 4. Se meter no útero das outras. Vamos então falar do projeto de lei. Vamos falar de aborto. O PL 5069, criado pelo Du e mais dois migo (tudo homem), quer dificultar ainda mais o aborto. Vou copiar alguns trechos da matéria que saiu no G1.

No caso do estupro, para que um médico possa fazer o aborto, o projeto de lei passa a exigir exame de corpo de delito e comunicação à autoridade policial.
Atualmente, não há necessidade de comprovação ou comunicação à autoridade policial – basta a palavra da gestante.
"Nenhum profissional de saúde ou instituição, em nenhum caso, poderá ser obrigado a aconselhar, receitar ou administrar procedimento ou medicamento que considere abortivo", diz o texto do projeto.
De acordo com o relator, deputado  Evandro Gussi (PV-SP), o farmacêutico pode deixar de fornecer pílula do dia seguinte, por exemplo, se considerar que isso viola a sua consciência.
 
Nos trechos citados acima, o que podemos ver, caro leitor? Um show de machismo e conservadorismo. Não sei se os senhores criadores desta porra sabem, mas ser mulher nesse país é difícil para cacete. E um dos maiores problemas é o fato das pessoas não acreditarem na nossa palavra. Então, se relatamos um assédio, seja moral ou sexual, um abuso sexual, um estupro ou uma descriminalização por gênero, nós somos histéricas, exageradas, feminazis, malucas, mentirosas, ridículas. A palavra da mulher, muitas vezes, não é validada nem pelas próprias mulheres. E o primeiro trecho que destaquei mostra bem isso. Pelo projeto de lei, a mulher vai ter que sair de um ESTUPRO pra ir fazer EXAME e depois conversar com um policial, se for homem, PIOR AINDA, porque ela ainda pode ter que ouvir “ué, mas também, com esse corpo” e coisas do gênero. O estupro, essa experiência completamente TRAUMÁTICA na vida de um ser humano, deve ser investigado até o fim, com os mínimos detalhes, e tudo isso para impedir que haja um aborto. E por último, eu estou cagando para a consciência dO farmacêuticO, que não tem a merda de um útero e não é ele que não vai parir e cuidar da criança que a grávida carrega. E mesmo se for farmacêutica. Miga, entenda, mulher tem que apoiar mulher. Não é seu útero, não acabe com a vida da outra por causa da SUA consciência e deixa que ela se vira com a DELA. Eu já falei sobre minha opinião a respeito do aborto em outro texto, por isso não vou me estender. Mas eu só quero dizer que gostaria que esse projeto de lei fosse parar em um buraco negro junto com o Cunha e toda a sua trupe reacionária, conservadora, machista, racista e homofóbica. Vocês, que são a família tradicional brasileira, enfiem essa tradição em outro lugar, que não seja nos úteros das mulheres. Não as façam parir frutos de seu machismo.

Por último, não posso deixar de falar sobre feminismo. Volta e meia, tento me lembrar de algum marco que me tenha feito parar e falar: eu sou feminista. Não consigo. Não sei como nem porque, mas sempre soube que feminismo não era oposto de machismo e sempre expliquei isso às pessoas. O que me lembro de mais remoto foi um chute no piru de um menino que me desrespeitava frequentemente na escola e ninguém fazia nada. Eu devia ter uns 4 anos. Depois, uma festinha onde eu devia ter uns 6 me irritei com o animador que brincou que os homens eram mais fortes do que as mulheres, por isso iam ganhar no cabo de guerra. Eu nunca entendi isso e sempre contestei. Aos 8, fiz uma dupla com uma amiga que arranjei em uma pousada e jogamos totó com dois meninos. Eles disseram que íamos perder porque éramos meninas. Fiquei com raiva dele. Nós ganhamos. Fui crescendo assim. Nunca aceitei o lugar de submissa e inferior que a sociedade gosta de enquadrar a mulher. E meus pais me ensinaram que isso não é assim. Hoje, vejo que muitas pessoas ao meu redor já mudaram suas opiniões pelo que digo a elas. Meu namorado, por exemplo. Outro dia, um amigo meu disse até que eu era uma referência, para ele, no assunto. Uma amiga contou que eu abri o olho dela quando falei sobre o direito da mulher de se vestir como quiser, andar na rua como quiser, e não estar pedindo para nenhum cara mexer com ela. E meu peito feminista se enche de orgulho quando vejo que já mudei e que ainda posso mudar a visão de muita gente. Mais uma vez eu quero falar que feminismo é a luta pelos direitos iguais dos homens e das mulheres. NÃO É mimimi. NÃO É opressão (NÃO!!!). NÃO É anti-homem. É só a noção de que somos todos iguais. Todo ser humano é igual. E nossa luta continua porque tem gente que continua sendo machista. Por causa de várias coisas que falei sobre ali em cima. O seu machismo NUNCA vai calar meu feminismo, mas meu feminismo vai sim calar seu machismo. O importante é que nós, que lutamos pelos direitos BÁSICOS das mulheres, não fiquemos calados. Não sei como devo terminar esse texto, talvez porque ele não tenha fim. Talvez porque seja tão incerto como a luta diária que a mulher leva, que ela é. Se isso um dia tiver fim, quem sabe eu não concluo tudo isso sem interrogações? 

Marina N. Martins 

 Aproveito para dizer: assistam a esse vídeo maravilhoso da JoutJout.