domingo, 23 de setembro de 2012

303


Final(is) feliz(es)

Tua carinha de anjo...
Ah! Não engana ninguém!
Eu gosto deste teu arcanjo,
do nosso final que “não termina bem”.

Gosto destes teus mais de dois,
aquele que dorme e esse que treme.
Curto nossos antes e depois,
nossa ingenuidade de quem nada teme.

Lindo esse mimado teu menino independente
que me recolhe, acolhe e aconselha.
Mas gruda em mim quando fica carente
e que quer fazer o que der na telha.

Tu és tanto em um só,
que me apaixona e deixa louca.
E agora vamos dar um nó,
pois a paixão não arde pouca.

Marina Martins

302


Constante costume

Nessa nossa mania de ir e vir,
Entrar e sair,
Inovar e repetir,
Eu me lanço nos movimentos
Repetidos e repetitivos
E deliciosos.

Fico imersa nesse estado de grito,
De movimentação quase automática,
De súbita santa satisfação
E isso não deixa a desejar,
Apenas deixa o que desejar,
Ou a desejar
Mais e mais.

Marina Martins

"Toda nudez será castigada."


Pênis. Vagina. Censurem-me.

Marina Martins

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

301


Coisificação

Não posso mais ficar aqui,
minha cabeça não aguenta.
Meu corpo não consegue sorrir,
o meu ser não se sustenta.

Este mundo de aparências
aguça todos os meus sentidos.
Ele esgota minha paciência
e deixa meu cérebro perdido.

Atualmente tudo me cansa,
me desgasta acordar na madrugada.
Procuro por uma esperança
que me livre do que me deixa assustada.

São sempre os mesmo assuntos
(muitas vezes uma enrolação),
quase nunca é algo profundo,
não passa de auto-afirmação.

Já cheguei ao meu limite,
não aguento mais reclamar.
Sinto-me chata e intolerante
e é bem capaz que eu comece a chorar.

Marina Martins

domingo, 9 de setembro de 2012

Nada.


E então se aproxima o tédio do domingo. Aproxima-se aquela vontade de nada, aquela cara de nada, aquele corpo de nada. Apodera-me a vontade de ter nada, de ser nada. O peso do nada nas minhas costas me deixa com preguiça, juntamente com a ardência do sol (daquele sol que não me deixou corada, mas me deixou quente e um pouco ardida). O sorriso não está mais no rosto, que se preocupa em ter fixamente uma expressão de nada misturada com sono, tédio e preguiça. Síndrome do domingo à noite... Aquela síndrome que me persegue desde o meu primeiro ano na atual escola, desde o primeiro ano que passei acordar de madrugada (seis e dez da manhã não é manhã, é seis e dez da madrugada). Mesmo assim, ouvir o riso da mamãe vindo da sala me faz sorrir. A janela do Facebook piscando também me faz sorrir. E o fato do Word não ter reconhecido a palavra “Facebook”, mas ter reconhecido a palavra “Word” me faz rir. É, nada está perdido, é só mais um domingo à noite... pf! Que nada!

Marina Martins

"-Qual é o tema do seu texto?
-Nada."

300


Física mente

Eu tenho direito de não prestar atenção.
Me deixa!
Me deixa ler
escrever
desenhar
voar.
Eu não posso voar,
então deixa eu fazer de outra forma,
com meus pensamentos.
Tem lugar melhor pra isso
senão a escola?
As aves voam por necessidade,
eu também.
Necessidade de fugir do tédio e da chatice,
de toda essa pressão.
Mesmo que a fuga seja
a minha própria cabeça.
Me deixa!
Me deixa ofuscar esse tédio
essas perdas de tempo
essas bobagens.
Me deixa por favor
prestar atenção
em mim.

Marina Martins, que estava com a frescura de que não queria postar esse poema mais ou menos como poema nº 300 no blog.