terça-feira, 16 de novembro de 2010

39

Mistério

Estaria ele simplesmente
no ato de dar uma flor?

Seria ele simplesmente algo
que enche uma vida de cor?

Duraria ele uma eternidade
mas terminaria com o mesmo final que a dor?

Não sei.
Não sou ninguém que ouse abrir a boca
para explicar o que é o amor.

Marina Martins

38

Protetora de sonhos

Sonho tanto com tantas coisas
Nunca vi sonhar assim.
Sonho com o possível e o impossível
Coisas que quero pra mim.

Sonho com o que deve
e o que não deve ser sonhado.
E o meu único medo é
de ter um dia um sonho roubado.

Marina Martins

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

37

Descolorira

Acordou tarde naquela manhã
Lá fora chovia
Precisava de algo
Mas o quê, não sabia.

Levantou-se da cama
Colocou as pantufas
Não aguentava mais drama
Chorara demais

Requentou o café
Antigo e amargo
Não queria mais se senti
Tão mal-amado

Sentou-se em sua poltrona
Lá fora a chuva corria
Continuava querendo alguma coisa
Mas o quê, não sabia

Ainda sentado, tentava encontrar
Afinal, o que lhe faltaria?
Pensava, pensava
Mas não descobria

Lembrou-se de coisas
Que há muito tempo não via
Palavras e gestos de amor
Que em sua vida não mais existia

Descobriu do que precisava
Era carinho e amor
Sentia falta do tempo em que amava
Em que sua vida tinha mais cor

Marina Martins

36

Confissão

Só mente.
Só, mente.
Somente
mente
a mente
mentirosa.
Menti, rosa.

Marina Martins

domingo, 7 de novembro de 2010

Estudando literartura II

Ainda estudando literatura...

"Largo em sentir, em respirar sucinto,
Peno, e calo, tão fino, e tão atento,
Que fazendo disfarce do tormento
Mostro, que o não padeço, e sei o que sinto."

Gregório de Matos

Estudando literatura I

Agradeço à professora de literatura por ter feito eu conhecer e entender esse poema tão lindo.

"Ó tu do meu amor fiel traslado
Mariposa entre as chamas consumida
Pois se à força do amor perdes a vida,
A violência do fogo me há prostrado.

Tu de amante o teu fim hás encontrada,
Essa flama girando apetecida;
Eu girando uma penha endurecida,
No fogo, que exalou, morro abrasado.

Ambos de firmes anelando chamas
Tu a vida deixas, eu a morte imploro
Nas constâncias iguais, iguais nas chamas.

Mas ai! que a diferença entre nós choro,
Pois acabando tu ao fogo, que amas,
Eu morro, sem chegar à luz que adoro."

Gregório de Matos

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

35

Falando em saudade

Que saudades que tenho
de escrever poesia.
Saudades de quando eu tinha inspiração
todo santo dia.
Saudades de quando me vinha de repente uma ideia
e eu simplesmente escrevia.

Marina Martins

34

"Tudo Diferente"

O tempo passa
as coisas mudam.
Não importa o que você faça
elas mudam.

Você pode sair ganhando ou perdendo,
não importa o que aconteça.
Nem sempre haverá entendimento
e pode ser que você nunca esqueça.
Mas as coisas mudam.

As coisas mudam.
As pessoas mudam.
Os lugares mudam.
Você muda.
Tudo muda.

Marina Martins

33

Refúgio Utópico

Vou encontrar um lugar
Onde eu não sofra ao me apaixonar
Onde eu hei de encontrar
Alguém para amar

Um lugar onde eu dê
Todos os meus desajeitados passos
Onde eu receba
Beijos e abraços
Algum lugar que me lembre
Estar envolvida em seus braços

Marina Martins

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Do começo ao fim

Texto inspirado no filme "Do começo ao fim". Recomendadíssimo, por sinal.

E foi aí que nossos olhos se encontraram. E nunca mais se perderam. O céu que transcendia e transmitia neblinas azuladas que se deviam aos sonhos que alados voavam, cresciam, eram. O mundo que aconteceu dentro da imensidão dos seus olhos castanhos é a memória e a prova infundível de que aquilo era verdade. Eu estava coberto por uma satisfacão que nunca havia tido antes. Meu corpo parecia estar flutuando sobre o céu que era transmitido por seus olhos. Mas ao mesmo tempo, eu tinha medo. Medo de que o meu mundo agora fosse fundido como um castelo de cartas, frágil, dócil, simples e complicado como um castelo de cartas. Meu peito pesava esmagando-me os ossos e a carne, e o palpitar do seu coração esfriava-me os lábios etrecortados e abertos pelo medo que se apoderava de meu corpo. Naquele momento parte do meu medo havia ido embora, pois, em seus bracos, eu me sentia quase que completamente seguro. Seguro do que estava acontecendo, seguro do que estava fazendo, seguro de mim. Seguro de nos. Naquele momento eu sabia que era aquilo que eu procurava, aquilo que eu mais queria. Era um simples toque de afeto, um simples abraço de amor, uma simples frase de carinho. Estava ali a pessoa que eu procurava, eu nao tinha mais dúvida. Pelo contrário, eu tinha só certeza. A certeza de que as palavras embaralhadas na minha garganta seca e dolorida, germinariam dando origem às mais belas flores. Flores que cresceriam no seu jardim. Certeza do tempo sem horas, minutos ou segundos. Um tempo nosso, e só nosso. Certeza de que o naufrágio por sobre meu passado de dor se erradicaria, e faria do eterno amor uma jangada rumo à liberdade. Sentia meus músculos contraídos debaixo da minha pele que ardia com o fogo corrosivo de uma paixão tangível. Senti certeza, talvez isso e mais nada. Talvez muito mais. Foi ainda envolvido por aqueles braços que comecei a pensar no futuro, no nosso futuro. Pensei no que seria de nós dois. Mas aí resolvi parar de pensar no depois e só curtir. Curtir o presente e pensar no agora. A partir daquele momento nós éramos uma alma e dois corpos. Uma paixão, dois homens e três palavras. E o medo que eu sentia foi levado pelo oceano de lágrimas que meus olhos jorravam. Lágrimas de emoção, de felicidade. Lágrimas que me deixavam com a mais pura certeza de estar fazendo a coisa certa.



Marina Martins e Martina Davidson

Liberdade. - Blog da Tina. E se isso conta alguma coisa, é super indicado por mim.