terça-feira, 19 de abril de 2011

terça-feira, 12 de abril de 2011

132

Façanhas

Sinto dores por entre as entranhas,
faço malcriações e manhas,
transformo-as em rimas estranhas,
como por exemplo, rimá-las com aranhas,
que me devoram e devoram lasanhas.

Marina Martins

131

De um deprimido

Não sei porque ainda insisto
em querer te possuir.
Nem sei porque ainda existo
se não quero mais existir.

Marina Martins

130

Mente: ira direta

Sua direta mente
mente
diretamente.

Minha discreta mente
não mente
ou desmente
discreta
ou diretamente.

E já foram tantas as indiretas,
quase que diretas,
de tão indiscretas,
que não entendo porque não sente:
se é verdade realmente
ou se é sua real mente que mente.

Marina Martins

domingo, 10 de abril de 2011

129

Covardia

Que saudade de escrever
um poema pra você.
Que saudade de querer
te encontrar, te conhecer.
Que vontade de dizer
que eu pretendo te esquecer.
Que raiva de você não perceber
que estou tentando te ter.
Falta-me coragem para entender
que eu não preciso me esconder.

Marina Martins

sexta-feira, 8 de abril de 2011

128

Súplica de uma apaixonada

Você pode pegar meu mar,
ou até emprestar meu céu.
Mas não me roube as músicas de Chico,
ou meus discos de Noel.

Você pode me abandonar,
pode até me isolar numa ilha.
Mas não leve meus livros de Drummond,
muito menos os de Cecília.

Você pode acabar comigo
e me atirar de mil precipícios.
Mas não me tome os tons de Tom
e (nem ouse!) a obra de Vinícius.

Você pode me afastar de toda a diversão,
afaste-me de todos os meus agitos.
Mas não leve embora a rouquidão de Cazuza,
muito menos minha coleção dos Beatles.

Marina Martins

127

Tiros de dor

Pessoas matando pessoas,
elas matam a natureza,
elas vão matando o mundo.

A cada tiro que soa,
mais uma nova tristeza,
uma dor que vem do fundo.

Marina Martins

126

Quando a saudade aperta

Sinto um aperto no peito.
É a saudade que chega de jeito.
Triste e chorosa, me deito.
Deitada, sou dominada por um aperto.
Lembro-me de como era tudo tão perfeito.
Sonhando e chorando, me aperto em meu leito.

Marina Martins

sábado, 2 de abril de 2011

125

"De noite na cama"

O sono vai me consumindo
Tomando meus sentimentos e minhas dores
Enquanto eu estiver dormindo
Sonharei com pensamentos e encontrarei os meus amores

Marina Martins

124

Em possível importância

Quando é amor, é possível
Ignora-se a idade, a distância
Não há barreiras que o tornem inacessível
Quando é amor, nada disso é de extrema relevância

Marina Martins