"Há dias em que acho que vou morrer de uma overdose de satisfação."
Salvador Dalí
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Mais que sonho
Seu olhar angelical se direcionava a ela e somente a ela. Era como se o mundo fosse ela e somente ela. Era como se só estivessem eles dois no trem e as pessoas que estavam ao redor nunca estivessem estado lá, ou como se simplesmente sumissem repentinamente. Mesmo que ele parecesse um anjo e ela, uma simples mortal, a presença dele tornava o casal ainda mais lindo. Mas para ele era exatamente o contrário: seu sorriso feliz e bobo deixava estampada a alegria em seu rosto e o quanto ele estava orgulhoso de estar com ela. O jeito que seu dedo passeava, lenta e carinhosamente, dando voltas no joelho dela, o jeito que sua mão acariciava a dela e o jeito que ele falava com ela entregavam seu total amor por ela. A impressão que dava era que ela era exatamente o que ele esperava, mais do que sua mulher perfeita e ideal: ela era imperfeita e real.
Marina Martins, aeroporto de Pisa
Marina Martins, aeroporto de Pisa
184
Ida e Volta
Lágrimas nos olhos tristes
Um sorriso forçado
(para fingir que estava tudo bem)
Um abraço longo
Beijos já saudosos
Um olhar cúmplice
Uma voz rouca que gaguejava:
"Vou sentir saudades"
Lágrimas nos olhos emocionados
Um sorriso contagiante
(agora estava tudo bem)
Um abraço longo
Beijos um tanto saudosos
Um olhar cúmplice
Uma voz rouca que dizia:
"Eu senti saudades"
Marina Martins, aeroporto de Pisa
Lágrimas nos olhos tristes
Um sorriso forçado
(para fingir que estava tudo bem)
Um abraço longo
Beijos já saudosos
Um olhar cúmplice
Uma voz rouca que gaguejava:
"Vou sentir saudades"
Lágrimas nos olhos emocionados
Um sorriso contagiante
(agora estava tudo bem)
Um abraço longo
Beijos um tanto saudosos
Um olhar cúmplice
Uma voz rouca que dizia:
"Eu senti saudades"
Marina Martins, aeroporto de Pisa
183
Podiam apagar as luzes
O céu cheio de estrelas
Me imagino com você
Não dá perfeitamente para vê-las
Mesmo com o anoitecer
Queria vê-las direito
As luzes poderiam ser apagadas
Seria o único jeito
De ver as estrelas ligadas
Marina Martins, Florença
O céu cheio de estrelas
Me imagino com você
Não dá perfeitamente para vê-las
Mesmo com o anoitecer
Queria vê-las direito
As luzes poderiam ser apagadas
Seria o único jeito
De ver as estrelas ligadas
Marina Martins, Florença
182
Caos poético
Estou com vontade
De escrever poesia
Não sei o que está acontecendo
Mas está me dando agonia
Talvez seja amor correspondido
Talvez seja muita alegria
Só sei que algo está me impedindo
De escrever poesia
Marina Martins, Florença
Estou com vontade
De escrever poesia
Não sei o que está acontecendo
Mas está me dando agonia
Talvez seja amor correspondido
Talvez seja muita alegria
Só sei que algo está me impedindo
De escrever poesia
Marina Martins, Florença
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Sonhar-te
Agora tenho que ir-me, pois preciso dormir-me e sonhar-me. Aliás, vou-me para sonhar-te, já que vou sonhar com você, não comigo. Estou sentindo-te saudade e sentindo-me saudosa, então no sonho quero abraçar-te e beijar-te. Não vejo a hora em que vou chegar-me e ver-te, mas, enquanto isso, eu por aqui aproveito-me para curtir e curtir-me. Daqui a pouco aproveito-te e curto-te. Por enquanto, apenas sonho-te. Antes de ir, só quero dizer-te uma coisa: eu te amo. Aliás, amo-te.
Marina Martins, Florença
181
Descrições
Ela quer a paz
Ela escreve poesia
Ela fala e faz
Ela esbanja alegria
Ela não tem medo de chorar
Ela sonha com um mundo melhor
Ela não para de sonhar
Ela não pensa só no pior
Ela diz que veio do mar
Ela queria ter olhos azuis
Ela deixa sempre o sol entrar
Ela precisa ver luz
Ela tem alma de artista
Ela é apaixonada por cor
Ela recorta revistas
Ela ama amar o amor
Ela segue o coração
Ela é louca pelo céu
Ela prefere o sim ao não
Ela gosta do gosto do mel
Ela dança no meio da rua
Ela tem a vida que quis
Ela é amante da lua
Ela se descreve como feliz
Marina Martins, Florença
Ela quer a paz
Ela escreve poesia
Ela fala e faz
Ela esbanja alegria
Ela não tem medo de chorar
Ela sonha com um mundo melhor
Ela não para de sonhar
Ela não pensa só no pior
Ela diz que veio do mar
Ela queria ter olhos azuis
Ela deixa sempre o sol entrar
Ela precisa ver luz
Ela tem alma de artista
Ela é apaixonada por cor
Ela recorta revistas
Ela ama amar o amor
Ela segue o coração
Ela é louca pelo céu
Ela prefere o sim ao não
Ela gosta do gosto do mel
Ela dança no meio da rua
Ela tem a vida que quis
Ela é amante da lua
Ela se descreve como feliz
Marina Martins, Florença
180
Quando apertar a saudade
Quando apertar a saudade
basta se lembrar
que olhamos para o mesmo céu,
observamos as mesmas estrelas,
sentimos o calor do mesmo sol,
namoramos a mesma lua,
quem sabe até sentimos o mesmo vento,
ou olhamos a mesma nuvem.
Quando apertar a saudade
basta se lembrar
de nossos momentos juntos,
de nosso abraços;
sei que não podemos senti-los,
mas o tempo passa rápido
e logo eles serão reais.
Marina Martins, em algum lugar entre Verona e Florença.
Quando apertar a saudade
basta se lembrar
que olhamos para o mesmo céu,
observamos as mesmas estrelas,
sentimos o calor do mesmo sol,
namoramos a mesma lua,
quem sabe até sentimos o mesmo vento,
ou olhamos a mesma nuvem.
Quando apertar a saudade
basta se lembrar
de nossos momentos juntos,
de nosso abraços;
sei que não podemos senti-los,
mas o tempo passa rápido
e logo eles serão reais.
Marina Martins, em algum lugar entre Verona e Florença.
179
(In) Completa
Parando em estações de trem
As malas grandes amontoadas
O bichinho de pelúcia que cheira bem
Bocejos e expressões cansadas
A música tocando nos ouvidos
Através da janela, olhares de curiosidade
Os textos sendo escritos
A caminho de conhecer uma nova cidade
A trilha sonora combina com a paisagem
O pensamento em alguém a todo momento
Mesmo curtindo cada passo da viagem
A saudade não é levada pelo vento
Marina Martins, em algum lugar entre Veneza e Verona
Parando em estações de trem
As malas grandes amontoadas
O bichinho de pelúcia que cheira bem
Bocejos e expressões cansadas
A música tocando nos ouvidos
Através da janela, olhares de curiosidade
Os textos sendo escritos
A caminho de conhecer uma nova cidade
A trilha sonora combina com a paisagem
O pensamento em alguém a todo momento
Mesmo curtindo cada passo da viagem
A saudade não é levada pelo vento
Marina Martins, em algum lugar entre Veneza e Verona
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Conversa com o coração
Com a esperança de entendê-lo, começou a conversar com seu coração. Quem sabe se, conversando com ele, ela não entenderia o que passava pela sua cabeça na hora em que perguntas inquietantes a inquietavam, vazios irritantes a preenchiam e nós bem enrolados a enrolavam. Para a sua surpresa, ou não tão surpresa assim, não conseguiu entender seu coração. Ela deixou as perguntas bem claras para que a conversa fluísse bem. Ele, por outro lado, não respondia direito e não falava coisa com coisa. Ela se irritava pelo fato de quase nunca seguir a racionalidade e sempre seguir o coração, esse “ser” irracional, incompreensível e, acima de tudo, exagerado. Mas não se arrependia muito por isso, pois mesmo seguindo-o, normalmente acertava o caminho. Em todo caso, nem sempre. De vez em quando, errava feio.
Sua cabeça estava uma confusão e era tudo culpa de seu coração. Ela pedia para que ele pedisse desculpas, mas ele não pedia. Orgulhoso esse tal de coração!, pensou. Durante a conversa, ela concluiu que podia falar que sofria do coração. De problemas com o coração. E não eram poucos esses problemas, eram bem mais complexos e confusos. Eles iam e voltavam. Nada grave, nada que uma música não pudesse tentar resolver, mas eles nunca acabavam. Sempre iam. E sempre voltavam. Normalmente, uma conversa costuma resolver as “enrolações” entre pessoas, mas não estava dando certo com o coração. De repente porque ele não é uma pessoa. Ou de repente por que as dúvidas que a incomodavam martelavam seu cérebro, mas não seu coração. Será?
Após muito tentar ter uma conversa boa com seu coração, ela desistiu. Resolveu pensar que quem a deixava mesmo confusa era seu cérebro, pois este que bolava as perguntas mais mirabolantes e esquisitas e a fazia pensar em coisas um tanto estranhas. O coração só reagia a isso tudo. Mas ele estava em seu direito. Estava também no direito de não conseguir conversar com ela, afinal, quem era confusa mesmo era ela, ou seu cérebro, e não ele. Ou eram ela e ele e o cérebro. Mas a culpa não era toda do coração, isso não. E, convenhamos, ela sempre soube que seu cérebro sempre serviu mais pra sonhos e estranhices do que para pensar sobre fórmulas químicas e matemáticas, ou seja, pensar no que é fixo e racional, se é que se pode chamar assim.
Mas que chato seria se seu cérebro não a fizesse sonhar! Seu coração seria tão certo e tão... racional! Aí estava ela se dando conta de que a razão nem sempre era o melhor caminho. E afinal, o que é a razão e por que ela se chama assim? Por que a razão é vista como o oposto do coração? Por que o sentimento mais puro de amor e carinho é visto como o contrário da razão? Muitas vezes o caminho do coração era o melhor possível, mesmo indo contra essa tal de razão. Se não fosse pelo caminho de seu coração, por mais confuso que ele fosse, ela não seria quem é, principalmente no momento. Se tivesse deixado as dúvidas de seu cérebro serem maiores do que o que seu coração sentia e dizia, nada seria como seria. No final de uma conversa um tanto louca, chegou à conclusão de que, por mais intrigante que fosse seu coração, ele era sempre o melhor caminho. Ou, pelo menos, seu melhor caminho. E o melhor de tudo: seu coração era algo que ela podia dividir em pedaços imaginários e dedicá-los a cada momento, a cada pessoa especial. E que o maior desses pedaços pertencia alegre e livremente a alguém. Ele não era totalmente dela. Seu cérebro era. E ela nunca foi egoísta.
Marina Martins
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