domingo, 25 de setembro de 2011

212

Explicando-me

Não gritei quando nasci,
devia estar me controlando.
Depois que eu cresci,
percebi que já estava me acostumando.

Aprendi a colocar na mesa
quando sei que estou certa.
Nas vezes em que não tenho certeza,
aprendi a ficar quieta.

Sei que brigas não dão jeito,
quero que passem longe de mim.
Mas se me faltam o respeito,
eu discuto até o fim.

Uns dizem que sou dona da verdade,
o que considero ironia,
pois, ao me darem essa identidade,
agem como um "dono da verdade" faria.

Aprendi a escutar toda gente,
não preciso ouvir satisfações.
Mas se algo estiver muito diferente,
vou querer saber de explicações.

Marina Martins

terça-feira, 20 de setembro de 2011

211

"Would you hold my hand if I saw you in heaven? Would you help me stand if I saw you in heaven?" - Eric Clapton

Neste instante

O pior é que não adianta gritar,
não sei se você pode me ouvir.
Mas será o que o certo é me calar?
Simplesmente aceitar que todos temos de partir?

Deixo que as lágrimas lavem meu rosto,
espero até que se sequem sozinhas.
Mas antes, sinto seu gosto
e deixo que uma delas esbarre nas vizinhas.

Desculpe-me se não posso segurar,
juro que já melhorei bastante.
Mas não tem como parar de chorar,
se o que eu mais queria, era estar com você neste instante.

Marina Martins

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

210

sedentário

não me dê
nome de
nômade

Marina Martins

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

De um irmão.

"Pior eu, que sinto saudades de alguém que nem tenho ainda."

Felipe Ribas

terça-feira, 13 de setembro de 2011

209

Fungos cotidianos

nem parece que estou no Rio
as lentes dos óculos vão ficando embaçadas
a única coisa que sinto é frio
andando por estas calçadas

as ruas passam por mim
-ou sou eu que passo pelas ruas?-
é como uma estrada sem fim
mas que não começa, nem continua

os cheiros confundem minhas narinas
a fumaça do caminhão me enlouquece
coloco para dentro algumas Aspirinas
mas a tosse ainda permanece

pessoas tossindo seus pulmões
cuspindo o que sobra e entala
esquecem de cuidar dos corações
carregam na mão direita, uma mala

poças de água imunda no chão
-o que está acontecendo?-
será que o mundo está em putrefação
ou eu que estou apodrecendo?

Marina Martins

208


(Des) Construção

Quebro a cabeça para pensar burrices
Gasto a voz para falar bobagens
Erro os caminhos para sair da mesmice
Fecho os olhos para desconstruir paisagens

Corro para poder me cansar
Descanso para secar o suor imaginário
Entorpeço-me com o perfume do ar
Durmo para girar em sentido anti-horário

Perco-me para sentir medo do escuro
Grito para ninguém me esquecer
Escondo-me atrás de invisíveis muros
Esqueço-me do que me vale viver

Marina Martins

domingo, 11 de setembro de 2011

207


Sem sentido

Ele pensava que de nada mais adiantava
Afinal, o céu só aparecia nublado
A alegria não mais pairava
Ao começo do dia, ele já encontrava-se acabado

Não brilhava mais aquela estrela
A lua não mais iluminava seus caminhos
Nas noites, queria apenas vê-la
Nos dias, apenas ouvir os passarinhos

Já não sentia prazer em pisar na areia
O mar parecia estar sofrendo
Já não via mais graça na vida alheia
O mundo não estava mais o compreendendo

Era o único nas pedras do Arpoador
Fazia um frio quase glacial
Sua alma se contorcia de dor
E seu corpo, de pé, fazia um esforço imoral

Sentiu a lágrima quente molhar seu rosto
E olhou fixo para o mar
Naquele dia de agosto
Seu corpo foi o único a flutuar

Marina Martins

206

Paixão conceitual

Criamos a equação
perfeita para nos completarmos.
Temos a fórmula do coração
feita para nos apaixonarmos.

Nosso amor não é sequência
que vai de um até dez.
É algo que ultrapassa a frequência
de cento e vinte decibéis.

Por você, só cresce minha paixão,
em muitos metros por segundo.
Ela cresce em forma de progressão
e ultrapassa além do mundo.

Transfiro para você meu calor,
na forma de um abraço rico.
Você o recebe em forma de amor
e entramos em equilíbrio térmico.

Nosso abraço serve como experiência
para a gente se equalizar.
Minha camada de valência
precisa de você para se completar.

Marina Martins

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

205

Melancolia florida

Então, eu te conheci...
Você coloriu minha vida.
Contigo eu floreci,
cresci feito Margarida.

Dediquei-te minha poesia,
até melhorei minha prosa.
Escrevi todos os dias
e embelezei-me feito Rosa.

Enchi-me novamente de cor,
encontrei meu lugar ao sol;
dei-me conta de que nosso amor
formava um só Girassol.

Outro dia, admiti
que sempre o sol vai se por.
Agora que te perdi,
espero não murchar como flor.

Marina Martins

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

204

Feito menina

Esta Lua é danada.
Fica escondida, finge que é tímida,
mas não tem vergonha de nada.
Sempre aparece, linda no céu
e não está nunca com a cara amarrada.
Faz charminho por entre as nuvens,
mas na verdade é bem assanhada.
Quando crescer, quero ser que nem ela:
tão brilhante e por todos adorada!

Marina Martins