terça-feira, 28 de maio de 2013

320



S.Ó.S

Não estou só
Estou em vários “sós”
Sinto-me plenamente bem
Quando estamos
nós
Socorro!
Me sinto perdida
Não sou a jovem
Que a minha juventude quer

Marina Martins

319



“Minha cara, minha cuca ficar”

Noite escura, mente clara
Para quem sofre e também ama
Queria me sentir mais Odara
Do que estou agora em minha cama

Marina Martins

segunda-feira, 20 de maio de 2013

318

velha conhecida

acho que te conheç-
-ci
achei que conhecesse
se
conhecesse mesmo
você não era isso...
so,
what you are now.
achava que te conhecia
ia
mas não sabia
não reconhecia
que não te conheço
não a reconheço mais
não há recomeço mais

Marina Martins

segunda-feira, 29 de abril de 2013

317


biblioteca

cabelos longos
longos cabelos louros
louros cabelos curtos
olhos azuis
verdes olhos
olhares
e as trocas deles
foco
e a falta dele
silêncio:
barulho de papeis

 Marina Martins

316

de grão em grão

seu primeiro grão de amor
cresceu
virou
meu primeiro grande amor

Marina Martins

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Nos braços da Rainha




Abençoado por Yemanjá, o mar me acolhe. Flutuo imersa num abraço caloroso e fresco, em uma imensidão indecisa entre o verde o azul. As ondas estouram tímidas, então ouço apenas minha respiração, distraída e relaxada. As nuvens, generosas com o sol, deixam ele queimar meu rosto, de forma delicada e gentil, enquanto as ondas vem e o afundam, refrescando-o. O céu é de um todo azul, deixando à mostra um princípio de Pedra da Gávea, escondidinha bem atrás dos Dois Irmãos. Com os ouvidos cobertos pela água, quase tudo some. Há somente eu, o barulho do mar e minha respiração, em total sintonia. Meu corpo em contato com uma natureza pura, selvagem e impecavelmente natural. Eu em perfeita harmonia com fogo (do sol), ar, terra e água, protegida pelo sol de Ipanema.

Marina Martins

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

315



Chão

Somos dois corpos atirados no chão
Cansados após uma brincadeira infantil
Somos o silêncio preenchido por respiração
Não há nada em volta, o mundo sumiu

Nosso silêncio é o que diz mais de mil palavras
Mas também é o que esconde muitas delas
Naquele momento, enquanto te olhava
Só conseguia pensar nas que eram mais belas

Minhas mãos caminhavam por seu rosto
Acariciando-lhe, lhe dando arrepios
Via seu sorriso, enquanto meu encosto
Era o seu ombro, duro e macio

O momento passou, na memória o conservo
Mas por ter sido tão simples e envolvente
Fecho meus olhos enquanto escrevo
E mantenho a primeira estrofe no presente

Marina Martins

314



Mudanças



Seus olhos já não brilhavam como antes

Sua voz não mais trazia tanta alegria

Seu abraço já não era reconfortante

Sua presença não melhorava mais o dia



Suas palavras deixavam de passar confiança

A cabeça trabalhava para tentar esquecer

E para um encontro, o que antes era ânsia

Tornava-se vontade de não querer mais ver



Os ouvidos não aguentavam mais mentiras

O silêncio queria gritar tristes verdades

Pois os encontros provocavam certa ira

E estar junto deixava de significar felicidade



As lágrimas do céu encostam gentilmente nas minhas

Tentar segurar o choro é árduo dever

Se tenho em mim uma parte que se sente sozinha

Mas, um dia, as outras partes conseguirão o prender

Marina Martins