segunda-feira, 19 de março de 2012

273


Rancorosa Poetisa

Parece que suas mãos são levadas pela caneta
E esta não sai de cima do papel
Ela escreve sobre as insatisfações com o planeta
E descreve um castelo, um bordel

Ela tenta falar bem do amor
Mas parece que até a caneta é contra
Ela começa a escrever todo seu rancor
E de brigar com a caneta, quebra sua ponta

Ela levanta e pega outra escrivã
Volta, então, a debruçar-se no caderno
Só que pensa apenas em coisas vãs
E sua inspiração vira um inferno

Se deu conta enfim, de que o problema era seu
É que a desgraça já tinha sido feita
O que, naquele momento, ela percebeu
Foi que precisava trocar de amor, não de caneta

Marina Martins, em Corrêas.

272


“Agora só falta você”

Vejo uma cena de amor agora
E nos coloco nela em meu pensamento
Imagino-te comigo ao lado de fora
Imagino-me contigo em cada aposento

É a danada da saudade que me vem
Pois a semana passou em ritmo arrastado
Por mais que eu esteja completamente bem
Queria você aqui do meu lado

Marina Martins, em Corrêas.

271


Poupando-me

Aprendi a ser como os outros
Mas não sei se é tão bom assim
Pois o que antes eu reclamava deles
Eles agora poderão reclamar de mim?

Talvez seja algum processo
Para diminuir minha irritação
Mas às vezes acaba dando errado
O que posso fazer então?

Não deixo de ser eu mesma
Por fazer o que os outros também fazem
E nem tentarei explica-me
Pois nem eu entendo-me bem.

Marina Martins, em Corrêas

270


Refúgio da semana

No profundo silêncio
Do barulho das folhas
Eu encontro minha paz.

E na extrema calma
Do ruído das arvores
Que o vento, quando bate, faz.

E no cheiro do mato
E perfume das flores
E na tranquilidade que isso me traz.

Marina Martins, em Corrêas

terça-feira, 13 de março de 2012

269

Do pessimismo urbano

“Mundo, mundo, vasto mundo”...
O que faço, meu velho conhecido?
Dizem-me: “Acalme-se, respire fundo”,
mas como faço, se o nariz está sempre entupido?

Se a cama em que meu corpo deita,
é a mesma que minha alma chora
e a mesma da prova de amor perfeita,
então tudo me apavora.

Trabalhamos esperando por férias,
estamos sempre reclamando de cansaço.
Só se vê pessoas sérias,
que após um cigarro, compram outro maço.

Não mais se cuida da Mãe Natureza,
o ser humana vive se fazendo de otário.
Tudo só aumenta a certeza
de que as vidas correm atrás de um salário.

Marina Martins

Traços de um homem primata e de um capitalismo selvagem

Minha escola teve a grande ideia de, no terceiro ano, transformar os tradicionais testes discursivos ou objetivos em algo compacto e de múltipla escolha. Digamos que é um mini simulado do Enem. Após ser novamente esmagada pela matemática, como sou em qualquer simulado ou prova ou teste ou exercício, subi a Timóteo da Costa pensando em como poderia escrever (mais) um texto para desabafar sobre o vestibular e agregados. Inclusive, na parte de português e literatura, tinha um texto em que o autor dizia sobre este sistema louco – não, eu diria mais, insano – do vestibular brasileiro. Ele dizia que está cada vez mais difícil de alguém passar para áreas humanas ou artísticas, pois a pessoa que deseja cursar cinema – e eu estou aqui servindo de exemplo – precisa acertar uma questão em que pergunta-se algo absurdo de química orgânica, por exemplo. Sinceramente, esse tipo de coisa me tira do sério. Na boa, Brasil, eu quero cursar cinema, teatro ou história da arte. NÃO ME INTERESSO – e na teoria eu nem precisaria me interessar – em saber sobre molaridade ou fazer contas de estequiometria. Para vocês terem uma noção, até o meu Word acaba de sublinhar a palavra “molaridade” (e sublinhou de novo), pois ele também desconhece tal significado.
O Enem é uma tortura. É um teste de resistência que, se você ficar até o limite de tempo nos dois dias, ao todo você passa nove horas de um final de semana sentado em uma cadeira dura e desconfortável com pessoas fungando perto de você e gente abrindo plástico de batata frita Ruffles, que faz um barulho imenso na hora da prova. Eu não culpo essas pessoas, elas têm o direito de comer Ruffles durante o Enem. Mas já as que perdem o tempo ingerindo catarro, poderiam, no mínimo levar lencinhos de papel para assoar o nariz, ou quiçá um remedinho de nariz. Além de ser bastante nojento, é um incômodo. Para passar com uma nota boa em algum dos cursos que pretendo fazer (preferencialmente, cinema), eu preciso me dar bem nas 45 questões de matemática e nas 45 que englobam física, química e biologia. Coisas que eu nunca usarei na minha vida. Aos adultos que não trabalham nas áreas exatas, – e, em alguns casos, até os que trabalham – eu vos pergunto: vocês sabem o que é mol? Qual o volume molar nas CNTP? E a fórmula de velocidade média? Sabem qual é a fórmula de dilatação? E de P.A.? P.G.? Pitágoras? Sabem fazer contas com logaritmos? E trigonometria, qual é a lei dos senos? E dos cossenos? É LÓGICO QUE VOCÊS NÃO SABEM. Porque isso é COMPLETAMENTE inútil para vocês.
Nós aprendemos coisas que simplesmente iremos esquecer e teremos o enorme prazer de esquecê-las. Eu, pelo menos, terei. Que não me julguem mal, – na verdade, que me julguem como quiserem – mas eu estudo para passar de ano. E para passar no Enem. Depois, vou deletar da minha cabeça todas as fórmulas e nomes de química, física e matemática. Não gosto dessas matérias. Odeio essas matérias. E elas não gostam de mim. E quanto à matemática, desde que enfiaram uma letrinha no meio, ela já é meu pesadelo. Para mim, é muito simples: letra é letra e número e número. É isso e eles não se misturam. O meu problema com a matemática é sério e é por isso que sofro com as outras exatas, porque elas se misturam com a matemática. E que me julguem pelo meu bloqueio mental, eu não estou dando a mínima. E minha dificuldade é séria, papo de 2 sobre 20 no primeiro teste de álgebra do primeiro ano; papo de 4 em 20 numa prova de geometria do segundo ano... e eu falo mesmo, já passou, não tenho vergonha de assumir que matemática é o meu podre. É mais do que meu podre, são todos os fungos juntos em um bolo só.
Perdemos tempo de nossas vidas estudando o que não iremos estudar ou precisar nunca, em vez de nos aprofundarmos no que nos vai nos servir em nossas carreiras. A partir de certo momento da vida, já sabemos bem o que não gostamos e o que gostamos, então deveríamos ter o direito de escolher as matérias que aprenderíamos. Fora isso, apenas o essencial da matemática, da física, da química, do português... todas as matérias são importantes, mas até certo ponto. A minha indignação com as exatas é a mesma que um futuro engenheiro químico – ou outra profissão qualquer – deve ter ao aprender a classificar orações. Ô coisa mais inútil! Eu fico realmente indignada. Acho um absurdo mesmo.
Onde está a democracia, a liberdade de expressão? Está na prova em que passo nove horas fazendo? Está na dissertação argumentativa que sou obrigada a fazer, sem direito de escolher o tema e sem direito de falar em primeira pessoa do singular? Está na matéria que aprendo só para me estressar e para me fazer perder férias estudando para recuperação? E além de tudo, me sinto culpada. Enquanto estou aqui reclamando, há milhares de jovens e adultos que gostariam de ter a educação que recebo em minha escola, mas isso já é outro papo. A minha indignação deste momento serve para eles também, serve para todos os que prestaram ou prestarão vestibular. Eu gostaria mesmo que isso mudasse, gostaria de verdade, mas, infelizmente, não há nada que eu possa fazer. O melhor mesmo é parar de reclamar, me dedicar e pensar: agora só falta um ano...

Marina Martins

quinta-feira, 1 de março de 2012

"Complicada e perfeitinha"

Indiscreta como a vida. Jamais discreta como a morte.

268

Ao fim da claridade

A vida voa como um avião
Ou como um pássaro veloz
Ela mora em nossas mãos
E tenta tomar conta de nós

A vida é boa em liberdade
Dentro de casa ou ao lado de fora
Mas a maior verdade
É que tememos que ela vá embora

Acontece que num estalo
Tudo pode se acabar
Abaixo a cabeça e me calo
E o choro começa a lamentar

É a lágrima sofrida
E a cabeça que se afaga
Quando se anuncia uma partida
Quando um olho se apaga

“Não tenho medo de morrer, tenho medo de parar de viver.” - Ouvi isso em algum lugar, mas não consigo me lembrar onde e nem quem falou.

Marina Martins

Aleatórias

Aquele momento em que você percebe que quem um dia foi "o", hoje é só "um" e quem poderia ter sido "um", hoje é "o".
Percebe-se: UM amigo, UM ex-namorado, UM garoto, O meu namorado. É bastante diferente.

Como seria o meu refrão se eu tivesse escrito "Someone like you", da Adele, que é um tanto deprimente: Never mind, I've (already) found someone like you.
Vamos combinar que na música, a mulher é bastante submissa ao amor daquele homem... Para já com isso!


Marina Martins

267

Soneto Descritivo

É a frase mais linda
Mais pura e selvagem
É eterna ou mesmo finda
Para uma pessoa, uma paisagem

É a mais verdadeira expressão
Mais completa e mais profunda
Responsável por uma pulsação
Que o coração às vezes abunda

Muitos a banalizam
Não sabem como dizê-la
Acham que não precisam

Podem chamar de clichê
Mas “eu te amo” é a melhor maneira
Para a perfeita descrição de você

Marina Martins