quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
309
Das datas em que se comemora
E me chega de repente
A nostalgia de Natal
O sentimento distrai minha mente
E meus pensamentos fogem ao natural
Não é algo que eu saiba explicar
Talvez por ser puramente um sentimento
Mas sinto que algo está a faltar
Ou alguém, em certos momentos
Creio que a falta de sua presença
(Aquela que está em corpo de verdade)
Me faz conhecer a essência
Do que posso chamar de saudade
Marina Martins
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Ninoca virando Marina
Espaço Educação, terceira
série, 2004, época em que os amiguinhos começam a criar e-mails e usar mais a
internet. Um belo dia chego ao meu pai dizendo que desejo criar um e-mail
também, “todo mundo já tem, pai! Cria um pra mim?”. Decidido a me inserir no
mundo virtual, meu pai sentou comigo e começamos a conspirar sobre qual poderia
ser o endereço. Marina Martins, Marina Nunes, Nina Martins, Nina Nunes,
variações de todos esses com pontos, hífens e underlines no meio... nada disponível.
Foi então que meu pai ou eu, não me lembro agora, mas alguém veio com a
brilhante ideia de fazer com Ninoca Nunes. E-mail único, exclusivo e super
criativo, ninguém nunca teria igual. Os anos foram passando, e aos poucos o
ninocanunes começou a ser um e-mail do passado, que as pessoas achavam
engraçado, muitas vezes impróprio a certas situações, “não repara no meu
e-mail, fiz quando tinha nove anos!”. Passei metade dos meus anos de Espaço
Educação acompanhada pelo ninocanunes e minha vida de Escola Parque inteira com
esse e-mail. Ele esteve presente nos momentos em que mais esqueci dele e o
troquei por MSN, quanto nos momentos em que mais precisei utilizar e-mails e a
acessá-los com mais frequência. Ano que vem estarei na faculdade, então resolvi
criar uma nova conta no Gmail, agora com nome de adulta. Confesso que senti uma
esquizitice passando pelo meu corpo ao informar que o ninocanunes está em
processo de esquecimento e, quem sabe um dia, deixará de existir. Por enquanto,
a Ninoca ainda acessa o tradicional e-mail de oito anos, mas um dia, existirá
apenas o de gente grande. Agora os tempos de MSN e Orkut passaram, junto com os
tempos de joguinhos no Fliperama (era esse o nome, né?), no Orisinal, vestir
bonequinhas no Dolls (ou em qualquer um do gênero), ser uma boneca no
Stardoll... agora apenas Facebook, meu blog e o novo e-mail. Pois é, estou
virando adulta. O ninocanunes pode até desaparecer, mas a Ninoca aqui (que hoje
pintou o muro da Escola como forma de despedida), nunca. Começo a me despedir
do ninoca, mas nunca da Ninoca. Esta estará sempre dentro da Nina, da Marina e
de qualquer outra delas que existem em mim.
Marina Martins (ou Ninoca Nunes)
domingo, 2 de dezembro de 2012
Nós, os cinéfilos.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Alterego ou esquizofrenia
Você e essa sua mania de
ser sempre boa, sempre correta. Você obedece, concorda, perdoa. Você aceita,
não fala, não grita, não bate nem discute. Você sabe que, se alguém viesse te
bater, você não revidaria, pois não se rebaixaria ao nível da pessoa e, além
disso, não suporta violência. E é por isso que, metaforicamente, as pessoas às
vezes te batem e você não revida e nem faz nada. Esse seu pavio curto para
certas coisas, seu gênio forte e sua atitude nem sempre aparecem quando mais
deveriam aparecer. E então você cospe tudo que te come na forma de palavras para
postá-las em algum lugar e, em certos casos, espera que alguém leia e se
identifique. Você joga a sua angústia em um papel ou em um documento do Word e
fica por isso mesmo, pois não consegue dizer na cara da pessoa que ela está
sendo no mínimo estúpida. Tudo bem que o fato de não conseguir olhar nos olhos
de alguém por tanta intolerância, impaciência ou raiva às vezes te priva de
conseguir dizer a esse alguém o que te fere e incomoda. Mas muitas vezes é
porque você não consegue mesmo. Por isso que eles te batem: sabem que você não
vai revidar. E o pior: sabem que você vai perdoar. Paz e amor, “all you need is love”,
suas palavras de vida, seu lema. Você preza muito por seus amores e amizades, têm
medo de perdê-los, por isso perdoa, aceita calada. Tanta coisa que você sempre
quis dizer e nunca disse! Está aí a sua fraqueza, sua melancolia que você só
divide com a Amelie Poulain ou em sua sala de terapia.
Você tem que arrumar seu
quarto, você não pode ir a festas, você não pode ter essa nota, você tem que
resolver isso essa semana, ‘sorria, você está sendo provocada’, você tem que
ligar pra quem diz que sente saudades de você e não te liga, você tem que correr atrás, você
tem que perguntar, você tem que reclamar, você tem que se impor, você tem que
botar pra fora o que sente, você tem que ouvir, você vai mesmo fazer só
cinema?, e você não vai fazer na UFF?, você é muito certinha, você ta muito estressada. Você acha que às
vezes falar de você mesma é egocentrismo (por isso está escrevendo em terceira
pessoa) e não gosta de ficar falando sobre suas qualidades sempre, mas sabe de
uma coisa? Você é uma santa. Você é muito boazinha. Não gosta de colocar-se no
lugar de vítima, mas não percebe que não é isso que você está fazendo:
reconheça que você, em certos casos, é realmente a “vítima”, você está sendo
sacaneada. Mas você se cala, apenas se cala... Você e essa sua mania de sempre
ser boa!
“Nina, você vai ter de entender, tem gente que é deste
jeito: não gosta de despedidas. Não chore, Nina, não chore. Ou melhor: chore
bastante. A gente afoga nas lágrimas a
dor que não entendemos. Mas espere, Nina, espere, porque há duas razões
para você não chorar.” - Ziraldo, do livro "Menina Nina".
Marina Martins
terça-feira, 6 de novembro de 2012
308
PÁlma
Pobre de ti:
nasceste mosquito.
Tu até deves rir
com o quanto me irrito.
Teu barulho agonizante
me desperta à noite,
ó mosquito implicante!
Levarei-te ao açoite.
Tua figura nefasta
marca em mim uma picada.
O teu voo que te arrasta
deixa-me atordoada.
Ó desgraçado inseto!
Afasta de mim tuas asas,
que te atinjo num golpe
certo,
e então no chão tu
repousas.
Já estou por aqui
com teu pudor infinito
(PÁ!)
(Bem feito.) Pobre de ti:
nasceste mosquito.
Marina Martins
“Às vezes te odeio por quase um segundo, depois de amo mais”
Eu te odeio.
Você me fez passar três horas morrendo de fome, sabendo que eu estava morrendo
de fome, e nem percebeu. Você não prestou atenção; nem em mim, nem em nada. Aliás,
prestou sim: em você mesmo. E sabe o que mais odeio em você? O fato de eu não
conseguir odiá-lo quando eu mais quero. Você não consegue não ser fofo. Enquanto
eu tento sustentar-me em minha postura de irritada, você me aparece na mão com
uma miniatura de gaita. Uma miniatura de gaita! Como consegue ser tão
irritantemente fofo? A gaitinha era menor que o seu mindinho! Sem querer, perco
a compostura e sorrio. (É sorriso de ódio!) Aos poucos, vou sendo levada pela
sua fofura. Impossível odiá-lo por mais de um segundo. Não consigo, pretendo e
acho que nunca vou conseguir. Eu gosto de não conseguir. Então, percebo o
quanto o amo. Eu amo o fato de não saber odiá-lo. Chego em casa e lá está a
minha cama, do jeitinho que você a deixou, arrumadinha e com os meus bichinhos
deitados e cobertos. Agora cá estou, deitada (infelizmente, sem você ao meu
lado), amando te amar. Estou lembrando de como você conseguiu me aguentar em
mais uma das minhas crises de sensibilidade hoje. Nossa, cara, você é incrível.
Eu te amo.
Marina Martins
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