segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

258


Soneto de desapego

Arranca já de tua face
Esta máscara que te esconde
Não te importes com tua classe
Se perdê-la, tu fizeste por onde

Não é a pele que se arranca
É uma superfície de enganos
Livra-te logo desta carranca
Que te transforma noutro ser humano

Melhor expulsar a falsa alegria
Do que manter a melancolia
De ser uma pessoa forçada

Dentro de ti deve morar uma dor
Por não mostrares teu interior
Torna-te, pois, uma pessoa melhorada

Marina Martins

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

257

“Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.” – Quero

“Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.” – As Sem-Razões do Amor

“Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?” – Amar

Carlos Drummond de Andrade

Eu (te) amo

Eu te amo não é cumprimento
Não é “bom dia” ou “boa tarde”
Eu te amo é reconhecimento
É despedida de quem sente saudade

Eu te amo não é desculpa
De errar ou de estar atrasado
Eu te amo não tira culpa
Nem de filho, nem de namorado

Eu te amo pode não ter hora
Pode ser de surpresa ou estar na cara
É perfeito pra quem namora
E lembrança pra quem se separa

Eu te amo é coisa fraternal
Amor de família, amigo, irmão
Mas eu te amo pode ser também carnal
E assim, é melhor quando se tem paixão

Eu te amo pode ser lamento
De sôfregos apaixonados
Pode ser arrastado com o vento
E espalhado para outros enamorados

Eu te amo pode não fazer sentido
Mesmo para quem está dizendo
Pode vir de um coração sofrido
De quem nada está entendendo

Eu te amo é olho no olho
É secreto ou dito sem pensar
Com “eu te amo”, me recolho
E afirmo que não canso de (te) amar

Dedicado a todas as pessoas que eu amo, estando em memória ou em vida.
Marina Martins

256


Sem mais palavras

Posso ficar horas contigo
Filosofando sobre nada
Posso te ter como amante e amigo
Se for para eu ficar mais apaixonada

Podemos também
Dizer nada sobre tudo
E eu sei muito bem
Como faço pra te deixar mudo

Marina Martins

255


Não faça com que eu me vire

Não faça com que eu,
Para chorar, me estire
Em uma cama e nem
Que de um penhasco eu me atire.

Espero que você não
Queira que eu pire,
Que entenda esta agonia
E queira que eu respire.

Eu demorei tempo demais
Para achar, não me tire
O que agora já é meu,
Por favor, se retire.

Marina Martins

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Análise abstrata da carícia específica das costas

Os dedos caminham pelas costas; traçam rotas, estradas e rodovias. O alinhamento perfeito da imperfeição de linhas inexistentes constrói caminhos e traços de amor num simples caminhar de dedos no dorso. Os dez dedos brincam entre si e revezam-se no construir e desconstruir de uma obra imaginária e abstrata na parte traseira do tronco. As pontas dos dedos cansam e dão espaço às mãos abertas, que acariciam e servem de borracha para a literal abstração (in)existente nas costas quentes e, quem sabe, suadas. Os dedos voltam a perambular e dividem espaço com os lábios, que deixam marcas invisíveis de batom transparente e de amor. De repente, pode ser que as mãos se cansem de vez, mas apenas por um tempo, e, então, os braços abraçam. As mãos cansadas escorrem feito tinta a partir dos ombros e descem vagarosamente pela parte dianteira do tronco. Talvez comece um novo desenho. Um novo perambular de dedos e mãos e lábios e toques. Perambular que, talvez, terminará novamente na abstração e no infinito de paixão existente nas costas largas.

Marina Martins

254

Assim, bem grudadinho

Já não mais me importo
Se não consigo fugir dos clichês
Já com isso não me comporto
Pois tudo me lembra você

É cada filme que assisto
Cada pensamento até tarde
Cada momento em que existo
Cada acúmulo de saudade

Não me importo em lhe ver
Todos os dias da semana
Seja por um só minutinho

A verdade, eu vou dizer
É que meu rosto não engana
Preciso do seu carinho

Marina Martins

253

De um jeito ou de outro

Teu corpo me ansia
E sinto transmissão de calor
Mas tu só te distancias
E só aumenta o meu amor

Não sei se percebes o que faço
Para cruzar nossos caminhos
Tento juntar nossos passos
Para os meus não ficarem sozinhos

Pode ser que ainda não consiga
Ter-te então como amante
Com esta nova cantiga

Talvez ela não te encante
Então fico contigo como amiga
Para não mais te ter distante

Marina Martins

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Aforismos

Setembro de 2011:
A única coisa que me estressa mais do que você mesmo é a capacidade que você tem de me estressar.
Mesmo que nem sempre você mereça, eu não paro de pensar em você.

Outubro:
Você acha que as coisas não devem ser programadas, mas de vez em quando só existe em um programa de computador. Que sentido isso faz?
Nunca é tarde, e talvez nem cedo demais, para se dizer que ama.
Se é para dormir melhor, não me importo em dormir um pouco mais tarde.

Novembro:
Não se pode desconstruir uma história. Pode-se construir uma nova, ou renovar uma já antiga.
"Eu te amo" não é pedido de desculpas. E nem desculpa.

Janeiro de 2012:
Todos aqueles que amam têm o direito de ser amados. Se você tem o direito de ser amado, você tem o dever de amar, qualquer coisa que se ame. Mas se você pensa que tem o dever de ser amado, faça por merecer e permita-se ao direito de amar.

Marina Martins

252

Madrugando

Sentou-se à cama
Com a expressão fatigada
Não estava fazendo por drama
Estava mesmo acabada

Ansiosa por um banho
Tinha preguiça de levantar-se
Ainda sentia algo estranho
A maquiagem borrada parecia disfarce

Usou a força que ainda lhe restava
Mesmo que isso pedisse certo esforço
Mas enquanto ele falava
Ela ainda afagava seu dorso

Não possuía mais energia
As forças tinham se esgotado
Enquanto a noite virava dia
Tranquilizou-se por ele estar a seu lado

Marina Martins

Do que se precisa?

Nervosismo. Ainda não, ainda não contem! Quantos minutos? Um? É, no meu relógio também. Ahn, fogos? Ué, já? Então já é meia noite, já é ano novo... UHUUUUUUUL! Poxa, mas eu nem contei e... Beijo. Brinde com Matte. Eu te amo! Olhos fechados. Momento de viagem. Abraços. Ah, sim, êêêêê! Feliz ano novo, feliz ano novo, eu amo vocês! Mais abraços. Beijos. Carinho. Fogos. Chuva. Brinde sem espumante, sem contagem regressiva, fogos com fumaça... que estranho. Mas praticamente todas as pessoas que mais amo estão aqui. Que delícia. Eu amo vocês! Abraço grupal. “Feliz ano velho, adeus ano novo...”. Risos. Amor. Sem espumante, sem contagem, mas amor de sobra. Saúde para dar e vender! Outro beijo em quem possui, exclusivamente, tipo exclusivo de amor. Eu te amo. Pode vir, 2012.

Marina Martins